quarta-feira, 26 de junho de 2013

Alguns dos desenhos esquecidos pelos cadernos antigos

As palavras nas casas
Estou a escrever na tarde, com ruídos cruzados: uma porta bate, uma mulher canta, uma criança ri, e há um cão que ladra, buzinas que tocam, uma chamada à esquina, um morteiro que estoira - e vejo um bando de pássaros, desligados do som, à procura de uma região, à procura de um filme. Rumam para telas do que já não vejo, no céu azul guilhotinado pelo cimento horizontal da minha janela. O silêncio é feito  de pequenos intervalos de mil peças sonoras, com o coração mecânico do relógio batendo, quase inaudível, em cima da mesa.
Reduto quase Final, Dinis Machado

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